O antes e o agora

19.12.2018

 

 

Ando inquieto dentro de mim.  De um lado para o outro troco passos. Busco pelos cantos alguma resposta, números rasurados em qualquer papel abandonado em cima da mesa. Quem me dera tivesse – por descuido - esquecido. Tento enxergar algo numa fresta de luz. Ando perseguindo intuições, gastando hora, enrolando cacho. Procuro alternativas furadas para encontrar um norte, alguma direção ou endereço, que me faça começar outra vez. Ter algo nas mãos, algo de verdade, palpável.

 

Não diria que foi você. Não foi. Certamente foi uma busca inalcançável para que isso tivesse um resultado diferente. Difícil entender. Certamente não acreditaria que atravessei essa cidade duas vezes em silêncio brigando com tudo que existe dentro de mim, fazendo contas, relembrando cenas, rezando baixo. Mas nada disso está em você. Ponto. Sabemos. Isso tudo está em algum lugar aqui dentro que não posso controlar. Noite passada vi o céu chorando por mim. E alguma coisa me fazia enxergar o antes e o agora. Um jogo de lógica. Sentir menos. Pensar menos, muito menos. Não decorar teu endereço. Não vir àquelas coisas na cabeça, como labirinto, laços, saída, paredes, posicionamento da lua. E você.

 

Mas sabia que mesmo buscando todas as saídas, por mais que mudasse o caminho para casa no fim do dia, ainda olharia feliz para o lado como se estivesse ali. Estava em algum lugar por ali, era só procurar. Era mais forte. Por mais que tentasse te arrancar de uma maneira desesperada, era uma vida toda misturada à minha, em meio aos lençóis, apelidos e risos. Estava impregnado. Um perfume misturado ao outro, sem controle, sem espaço. Um corpo preenchendo o outro, e suas mãos – tão pequenas - que se encaixavam nas minhas. Inevitável. Parecia não ter fim, eu sei, mas teve. Ficou um silêncio, um vazio, um grito no vácuo. Mas tudo bem, eu pago o preço, jogo o seu jogo. Vez ou outra, então pego uma fotografia e choro sozinho lembrando teu gosto. Levo comigo uma coisa bonita que ficou.  Alguma coisa realmente nossa, e isso. . . ninguém tira. Não há depois.

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