Quando o amor não vai

05.07.2017

 

São dez da noite e a hora não passa. Estou aqui, naquela mesma posição, aguardando o ponteiro me dizer quando devo dormir. Tem sido assim, minúsculo, pouco, quase nada. Tem sido tão pequeno, que quase cheguei a pensar, e a dizer em voz alta que não existiu. E existiu tanto que parece ter sido uma eternidade. Dias de sol. Dias e noites que sobrevivemos em meio as dificuldades, e terminamos nossas noites com os pés entrelaçados.

 

Mas sei, que só sentimos a falta, quando o calor vai embora e tudo parece tão distante. Aquela sensação enorme de ter sido só uma virgula na vida de alguém, ao invés do verso todo. Como se pudéssemos ter marcado uma época e só, uma medida de tempo pra comentar com os amigos, que passou e ponto final. Então, me perco aqui, pois são ainda dez, e meu desanimo continua o mesmo. O mesmo desde que a noite caiu.

 

Estive pensando em me ocupar. Quem sabe pensar em meus outros amores, singelos, mas nenhum deles foi você. Nenhum deles se encaixou tão bem em mim quanto você naquela noite que nos conhecemos e a noite pareceu marcar uma época. Soube que as coisas mudariam e não seriam as mesmas. Lembro me bem, dessa canção que toca agora no rádio que diz suavemente “depois de ter você, pra que querer saber que horas são?” pois, é ...

 

Nunca havia sentido nada igual, e depois de anos, soube que não viveria outra vez. Essa voz e essa canção seriam sua escolha pra uma noite como essa. Soube assim, como se você ainda estivesse aqui, sentada do meu lado com uma cerveja pra nós dois, deitando-se no meu ombro e dizendo “eu adoro essa canção”. Eu também.

 

Por um certo tempo, depois do fim, cheguei a pensar que você seria só mais uma, e que isso tudo faria parte de uma colação de lembranças, que guardei lá no fundo da memória pra não deixar de ser quem sou. Pobre inocência. Lembrei teu nome todas as vezes que a noite caiu, e que me coloquei a deitar. Penso, o quanto poderíamos ter criado planos, feito coisas sem querer e recomeçado infinitas vezes. Teria deixado meu orgulho de lado, e você quem sabe, seria a mesma chata de sempre, e mesmo assim te amaria como ninguém mais.

 

É nessas horas que lembro quando te trouxe aqui pra casa pela primeira vez, e meio tímida, dizia coisas sem parar. Uma porção de coisas sem sentido. Dez minutos depois, estava vestida com meu moletom reclamando do frio. Aquela noite nunca se apagará, pois soube naquelas poucas horas, que você era o grande amor da minha vida, só pelo jeito de dançar, esticando os braços, e depois apontar pra mim como quem me provocaria uma vida inteira. Pois é, parece que te vejo andando pela casa, como quem quer sair pra passear. Eu ainda a vejo.

 

Tantos anos se passaram, e tudo continua igual. Mudei a companhia, o corte de cabelo, e até dei embora aquela camisa que você não gostava. Eu tentei ser quem você quis, pra tentar encontrar alguém que fosse próximo de tudo que você foi e é. Tentei e falhei. Me guardei dentro de casa por um certo tempo, até conseguir distinguir que ainda havia vida lá fora, mesmo que o amor que eu tanto guardei, estivesse por ai, dançando pra outra pessoa e abrindo duas cervejas ao invés de uma. Lutei contra minha cabeça tantas vezes, e o máximo que conseguia, era te encontrar num sonho ou outro e acordar chamando seu nome.

 

É por isso que tenho estado nesse estado desde então, pois descobri que fui incapaz de me doar à outro alguém como fiz à você. Dizer que foi o grande amor da vinha, pode parecer piegas, mas tudo que tenho feito, é na esperança de te ver entrar pela porta e não te soltar nunca mais. Seu álbum favorito continua aqui, esperando minha companhia de volta. Esperando você chegar com aquele sorriso largo, feliz por ter colhido flores na rua, e esperando uma xícara de café fresco 

 

... vê se não demora.

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