Entrega, sintomas e insônia

03.07.2017

 

Tenho estado entregue até quando não estou, e isso não é normal. Diz que precisa do meu manual, mas tem todos meus segredos guardados em algum lugar aí dentro. Me pergunto então, o que mais você quer? Quer que eu desenhe teu nome no box na hora do banho? Que dê seu nome à uma estrela? Que eu diga pra todos meus amigos quem tu és, e que só penso em você? Isso eu já fiz, e até minhas paredes sabem seu nome.

 

Fiz, e tenho feito desde o dia que a vida pareceu mudar... confesso que relutei contra tudo, que pensava, e tentei não enxergar todas as coisas boas que haviam em você. Tentei de todas as maneiras, arrumar defeitos, pretextos pra não nos encontrarmos nunca mais... mas quando a saudade bate, não tem jeito,  somos reféns de nós mesmos, e é seu nome que me vem à cabeça.

 

É um sentimento estranho, mas primeiramente de negação. Um não gigantesco. 

 

Tem sido estranho, confesso. As coisas não se encaixam como antes, e pouco sei sobre mim. Sinto um vazio em enorme em não te ter por perto, e sei que isso não me fará bem daqui um tempo... eu tentei, diria, mesmo sabendo que não. Tentei te dizer na hora errada que era você, sem saber se o momento era oportuno e se aguentaria a resposta. Não aguentei. Não consegui diluir pouco a pouco, como café solúvel, a sua resposta rasa de quem teme o amor. Aquela que não veio. Soube ali então, que já não havia espaço pra mim, ou pra qualquer coisa que almejei ao teu lado, por mais simples que fosse.

 

Almejei tanto... tanto que luto contra a mim mesma quase sempre que preciso, para não entrar nesse estado de crise que me encontro, onde luto pra não sair de casa e correr o risco de te encontrar lá fora. Nas paredes, no som do carro, nas esquinas, nas cores ou numa cerveja.

 

Está tudo bem, sabemos que sim, e que isso uma hora ou outra passa. Quando me der por conta, você será só mais um retrato de um rosto bonito na minha estante de decepções, e eu, confiarei  a ti tudo outra vez, com minhas bobagens incompreendidas pela maioria, mas não por você. 

 

Você as conhece tão bem. Sabemos. Sabemos também que a maior parte das vezes, que me encontrei de verdade, foi no teu peito, no teu colo, e pedi encarecidamente para que o tempo congelasse e o fim nunca nos tomasse por completo. Será que é possível apagar algo tão bonito assim? Mesmo que não tenha ganhado corpo ou rótulo, sentirei imensas saudades. Daquela que se põe no papel, como algo que queremos enquadrar para o tempo não dissolver. Sentimento esse, pelo que não aconteceu, mas imaginei com todo meu amor e admiração.

E tudo esfriou como uma caneca de café rejeitada em cima da pia. Num passe de desacordo de emoções, tudo se diluiu, e não pude simplesmente mudar algo a respeito. Não dá. Como termina o que de fato nem começou? É uma utopia boa de só ter o básico e ser feliz. De não haver distância nenhuma, e que pudéssemos ser nós mesmos, apesar de juntos.


Mas não dá.

 

A única coisa que ainda posso sentir, é saudade. De um tempo que corríamos e dançávamos por aí, sem preocupações, e depois nos amávamos na carne, sem pecador e pudor. Sem demagogia. Sem neurose de onde pegaria meus cacos após todo caos da partida.

 

Sempre soubemos que uma hora ou outra, isso chegaria. E chegou. Soubemos, e você também, que o adeus é algo tão difícil, e parece que buscamos um milhão de razões para não dizer aquelas palavras que precisamos. E muitas vezes, são delas que mais necessitamos e nada mais... como remédio pra dor de cabeça, que a gente ingeri mesmo sabendo que corrói nosso organismo, e o sintoma alivia por um curto período de tempo.

 

Curto. Tempo. Espaço.

 

Buscamos razões pra manter distância, mas parece que o coração fala mais alto que a razão é tudo parece não importar mais depois dali. Sei que demora, mas as vezes o essencial é soltar as mãos e deixar ir. Eu tentei e você nem reparou. Busquei razões pra você ficar, nem que seja um pouco, pra mentir que tudo isso fez sentido.


Na verdade, eu acreditei mais do que pude, para então, poder dizer à você, que mesmo pessimista como sempre, e um pouco desiludida, acreditei firmemente que isso me ajudaria e me construiria por dentro. Inocência minha. Das grandes. O máximo que consegui foi decepção em entender, que mesmo que queira muito, alguns conseguem ser covardes sem nem se esforçam pra que isso venha à tona, em plena luz do dia.

 

Ninguém tem mais vergonha de covardia, e repentinamente consegui encontrar um tipo como esse, que não sabe o que quer e pouco posicionado é. Azar e dos grandes. Pena ser tão incrível e o beijo ser tão bom. Mas não vale. Não vou. Não mais. Eu sei, complicado e ainda quando se trata de amor. Também somos da geração que trata o amor como uma doença contagiosa e terminal, que faz com que precisamos nos despedir de nós mesmos, mas nunca encarei assim. Sempre vou enxergar de uma maneira bonita, de quem encontra uma flor colorida no caminho pra casa, e se apaixona pelo perfume. Talvez a falha seja essa. Outro erro, talvez seja escrever numa noite de insônia onde o senso de sinceridade aumenta, e coloco em pautas e em voz alta, tudo que preciso e não consigo.

 

 

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