Quando o tempo fecha

17.05.2017

 

 

Quando se percebe que as coisas não vão bem? Quando o trem descarrilhou de vez, e está disparado em sentindo oposto? Quando é que deu aquele estralo em nossas cabeças? Um dos corações estava andando desenfreadamente pra muito longe. Quando se percebe que tudo mudou? Que talvez não seja mais ali seu lugar ... Ou nunca foi.

 

A luz do amor próprio piscou, e de repente acordei. Percebi a dimensão dos equívocos.

 

Chegou a hora, e o silêncio nos tomou por completo. O gosto que era doce, agora já não é mais. As alegrias não são as mesmas, e quase sempre a decepção nos toma. Quase sempre te vejo de longe, quase sem perceber minha presença. Quase sempre você está em qualquer lugar do mundo, menos comigo.  Ouço a canção no rádio que era nossa, e ela não me soa mais familiar.

Eu que quase sempre sou feliz, mas meio inquieta com a vida, me propus a descobrir o que em mim habitava. Soube por muitos motivos, que você é, ou era a pessoa certa. Sempre seu nome surgia na cabeça na hora de acordar e ao me deitar. Como se teu nome tivesse pregado na parede com fita crepe. Teve um tempo que sem querer te procurava na cama, mesmo sendo só minha, e te achava no embrulho do lençol.
Sintomas que me fez borbulhar e acreditar que aquilo realmente existia.  As vezes também lembrava de você durante o dia, mas nada muito especial, meu bem. Lembrava de você arrumando o cabelo, a jaqueta e teu jeito de cantar quando começava aquela música que a gente tanto gostava.

 

Senti uma revolução imensa pela primeira vez saber amar. Me entregar sem medo para pessoa que agora me importava. Aquela, que poderia algum dia me ensinar o significado da palavra sempre. Eu que sempre fui menina, apesar da idade, sonhei com um canto só nosso. Um anel bonito. Eu e você.

 

E sem nem mais nem menos, o tempo fechou.


Quando você percebe que tudo esfriou? Quando se percebe que nada é verdadeiro, nada por inteiro, mera distração? Talvez tenha outra companhia pra chamar pro cinema, pro teatro, pro beijo antes de dormir.

Estou falando de atenção. De quando o mundo para pra ouvir aquela voz e todo o volume em volta diminui. Todas as cores parecem seguir aquele rosto. Estou dizendo de quando se arruma o cabelo atrás da orelha, sem parecer algo banal. Falando de atenção de verdade, entende? Das mãos se encontrando sem perceber, feito imãs. Quando parece enlouquecer por não ouvir aqueles carinhos saindo daquela boca. Eu estou falando da saudade, que faz o mundo parar, e nada, nada faz passar...

 

Sei que tudo nessa vida é passageiro. Todos somos descartáveis e aprendi isso da maneira mais difícil. Mas, precisava partir tão depressa assim? Como um papel amassado em direção ao cesto? Como os copos que joguei na parede quando descobri que tudo acabou. E acabou. Vai ser assim, tudo bem. Sem seus carinhos antes de dormir, sem tua mão pra segurar quando me virar nas nossas noites de sono juntos. É tão difícil virar pro lado e não te ver. Pular os dias que iríamos ao cinema e juntar forças pra dizer a todos nossos amigos, que não te vejo mais. Como farei tudo isso sem tua ajuda? Como dizer que apesar de tudo e todos, eu ainda queria ter você aqui. Aqui. Só mais um pouquinho, e entender, que mesmo que doa, um dia tudo termina. Só não precisa ser assim, de uma hora pra outra, como objetos descartáveis que tem durabilidade curta. Não precisa. Podia ser devagar e a passos lentos, como aquele tempo que demoramos pra nos beijar e a se tocar. Eu to falando de tocar de verdade, de abrir espaço dentro do outro. Ser abrigo pro frio.
 

Se você ligasse para saber como estou, diria que viajaria esse mundo inteirinho pra poder sentar na tua frente e te abraçar. Um abraço lento e demorado igual aqueles que me dava numa noite difícil. Também leio as notícias do jornal se precisar saber do mundo lá fora. Parece pouco, tudo bem, mas não é. E entenda, nada disso seria pra ser meu mais uma vez. Nós fomos muito pra agora ser tão pouco. Só quero saber dos teus dias, ouvir sua voz, e saber que ainda cultivo algo ai dentro. Deixa que por aqui eu me acho com a vida, eu me encontro. Conheço alguém legal que estoure pipoca pra mim num sábado a noite. Por aqui eu me ajeito. Mas saiba, que pode passar o tempo que for, eu faria qualquer coisa se você quisesse ficar e nunca mais partir. Eu iria até você, meu bem, onde quer que fosse.

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